segunda-feira, junho 16, 2014

Ensaio

Ele tem disso de medir demais as coisas. Eu sou um buraco negro, se a gente parar pra pensar. E ele tem medo. Medo de medir. Medo de pedir. De tentar dessa vez, e cair pra dentro de mim de vez.. Se perder. De encontrar alguma coisa de que gostar e decidir ficar. A testa franzida não engana o receio. Eu não vou embora, amor. Dá pra confiar dessa vez, e das outras.
Ele tá cansado, e ainda consegue ficar de pé. Faz parte desse time de homens que andam na corda bamba todos os dias. Ele se esparrama pela cama e olha pro teto. Só queria sonhar mais um pouquinho, e não queria pensar. Ele segura o choro e tudo mais porque não dá tempo de sentir isso direito. Tá faltando estrela cadente nesse quarto, mas você pode me pedir. Puxa um cobertor e fica aqui. Contigo eu abraço o mundo. Passo a noite em claro pra te ver melhor.  É no silêncio que a gente faz amor. E quando você acordar eu estarei lá, eu prometo.
 Não tem estrela no teto, mas eu tô no céu contigo. Corre os olhos e morde os lábios. Vem pra cá. Pra sempre quero ter isso que a gente tem e não tem. Mas eu fico. De buraco negro pra deixar você cair em mim. Cê tá precisando de paz. Mas deixa pra amanhã. Que hoje eu vou te fazer dormir.
Ele não precisa descobrir as cores e nem as coisas pra me prender, ele me prende, a gente se prende, e vai ser sempre assim.
Se eu tivesse te desenhado e te encomendado, teria sido exatamente assim.



Ao som: Quase um Segundo - Paralamas do Sucesso

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